terça-feira, 26 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Uncle Boonmee





por Ursula Rösele
Thalia, cinema de Augsburg, sul da Alemanha. Como não pude desfrutar das coberturas da Filmes Polvo em que nossos tentaculares viram o novo Apichatpong, fiquei felicíssima ao descobrir que Uncle Boonmee está no cinema aqui. Fui lá conferir, claro. Cineminha super agradável, meio parecido com o Belas Artes de Belo Horizonte e melhor: legendado, coisa rara por aqui. Sentei-me lá na primeira fila, bem no estilo “polvos no Cine Humberto Mauro”. Silêncio, ninguém aparecendo. Eu e Joe, apenas. Uns quinze minutos de filme e um homem entra, senta mais atrás. Mais ou menos com uma hora de projeção ele vai embora. É Joe...espero que quando estrear no Brasil as coisas sejam – ao menos um pouco - diferentes.
Thalia, cinema de Augsburg, sul da Alemanha. Como não pude desfrutar das coberturas da Filmes Polvo em que nossos tentaculares viram o novo Apichatpong, fiquei felicíssima ao descobrir que Uncle Boonmee está no cinema aqui. Fui lá conferir, claro. Cineminha super agradável, meio parecido com o Belas Artes de Belo Horizonte e melhor: legendado, coisa rara por aqui. Sentei-me lá na primeira fila, bem no estilo “polvos no Cine Humberto Mauro”. Silêncio, ninguém aparecendo. Eu e Joe, apenas. Uns quinze minutos de filme e um homem entra, senta mais atrás. Mais ou menos com uma hora de projeção ele vai embora. É Joe...espero que quando estrear no Brasil as coisas sejam – ao menos um pouco - diferentes.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Dinner for One
por Ursula Rösele
Este curta se chama Dinner for One, também conhecido como The 90th Birthday e também Der 90. Geburtstag, em alemão. Na década de 1920 um autor britânico escreveu uma esquete para o teatro inglês e em 1963 o canal alemão NDR a transformou em um pequeno curta cômico.
A versão alemã manteve a língua inglesa sendo falada entre os atores (com esta introdução em alemão que verão a seguir) e como poderão ver, foi uma decisão acertada, uma vez que o filme necessita da aura britânica para manter seu sentido cômico.
Esta versão de 1963 entrou para o Guiness (entre os anos 1988-1995, pois as edições seguintes do livro não possuem mais esta categoria) como o programa de TV que mais passou em toda a história. O filme se tornou figura emblemática da comemoração de Ano Novo das televisões de diversos países, como Alemanha, Dinamarca e Suécia, além de ser considerado um clássico cult nesses países e na Noruega, Finlândia e Áustria.
Divirtam-se...
Este curta se chama Dinner for One, também conhecido como The 90th Birthday e também Der 90. Geburtstag, em alemão. Na década de 1920 um autor britânico escreveu uma esquete para o teatro inglês e em 1963 o canal alemão NDR a transformou em um pequeno curta cômico.
A versão alemã manteve a língua inglesa sendo falada entre os atores (com esta introdução em alemão que verão a seguir) e como poderão ver, foi uma decisão acertada, uma vez que o filme necessita da aura britânica para manter seu sentido cômico.
Esta versão de 1963 entrou para o Guiness (entre os anos 1988-1995, pois as edições seguintes do livro não possuem mais esta categoria) como o programa de TV que mais passou em toda a história. O filme se tornou figura emblemática da comemoração de Ano Novo das televisões de diversos países, como Alemanha, Dinamarca e Suécia, além de ser considerado um clássico cult nesses países e na Noruega, Finlândia e Áustria.
Divirtam-se...
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Sally Menke (1953-2010)
Montadora de todos os filmes de Quentin Tarantino e considerada por ele uma verdadeira "autora", Sally Menke morreu na terça-feira, aparentemente vítima do calor, depois de ficar um dia desaparecida. Foi o dia mais quente da história em Los Angeles, com os termômetros ultrapassando 45º C.
Menke foi indicada duas vezes ao Oscar de montagem, por "Pulp Fiction" e "Bastardos Inglórios". Morreu sem vencer o prêmio.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
"Terra Deu Terra Come": em busca do diabo
por Marcelo Miranda
"Eu encasquetei que queria saber como era um pacto com o capeta". Simplificadamente, foi esta a grande motivação do cineasta Rodrigo Siqueira ao pegar a estrada no final de 2004 e circular por regiões remotas de Minas Gerais. Sua inspiração? A literatura de Guimarães Rosa, em especial "Grande Sertão: Veredas" - a quem leu o romance, a curiosidade de Rodrigo em torno do pacto com o diabo vai ficar bem mais clara.
Tão instigante quanto seu ponto de partida foi o resultado do périplo de Rodrigo: o filme "Terra Deu Terra Come", troféu de melhor longa brasileiro do festival É Tudo Verdade, em março deste ano, e destaque em agosto numa mostra paralela do Festival de Gramado. Em vias de estrear no circuito comercial a partir de outubro, o filme também deverá ser exibido em novembro no forumdoc.BH.2010.
Serão as primeiras apresentações de "Terra Deu Terra Come" em sua própria casa. Rodrigo é nascido em Conselheiro Pena, pequeno município de 23 mil habitantes localizado no Norte de Minas, no Vale do Rio Doce, a 513 Km de Belo Horizonte. Rodrigo, 37, mudou-se para a capital aos 4 anos. Depois de algumas experiências locais com cinema e produção, migrou para São Paulo em 2001, e lá reside até hoje.
Mas Minas Gerais ainda impregna o imaginário e a criatividade de Rodrigo Siqueira. Tanto que não se satisfez em apenas ler Guimarães Rosa. Quis se imbuir da atmosfera roseana. O que ele não esperava era encontrar um típico personagem do escritor na figura do contador de histórias Pedro de Alexina, 82 (idade incerta). "Seu" Pedro encantou Rodrigo logo no primeiro encontro de ambos, em janeiro de 2005. "A gente conversou por horas, e eu, já com a câmera, gravei três fitas desse papo", relembra o diretor. "Resolvi voltar pra filmá-lo ao descobrir que ele era o único a ainda saber cantar os vissungos. Precisava fazer um registro daquele patrimônio imaterial".
Os vissungos são definidos como cantigas entoadas por descendentes de escravos africanos nos garimpos de diamantes e ouro das regiões de Diamantina, São João da Chapada e Serro, em Minas. Rodrigo encontrou Pedro de Alexina no Quartel do Indaiá, antigo quilombo perto de Diamantina, onde restam poucos moradores e no qual o contador é o último a ainda relembrar os vissungos. "Tem um genro dele que parece possuir ouvido musical, mas os jovens não têm interesse em dar continuidade a isso. Quando ‘seu’ Pedro morrer, há o risco desse patrimônio desaparecer junto com ele".
Ao propor realizar um filme com Pedro, Rodrigo diz que o contador - também benzedor, curandeiro e mestre do garimpo - pediu que, ao voltar, o cineasta lhe levasse uma sanfona. "Bom garimpeiro que foi, ele já estava fazendo negócio". Rodrigo retornou quase um ano depois - com a sanfona de oito cordas pedida por Pedro. Dali em diante, os dois tiveram uma cumplicidade ímpar e inesperada. O cineasta ficou um mês na região, conversou e tomou cachaça com o ex-garimpeiro e se permitiu ter a inesquecível experiência que resultou em "Terra Deu Terra Come".
Codireção
Não é por menos que Rodrigo Siqueira credita Pedro de Alexina como codiretor de "Terra Deu Terra Come". Ao estimular o ex-garimpeiro a narrar suas histórias e a falar da própria vida e das relações dos vivos com os mortos ("A morte, existe ela, ela anda com sua foice dela" é uma das frases-chave de Pedro), Rodrigo se viu dentro de um jogo de representações no qual o limite entre verdade e ficção já não importava. "Propus situações para entrar no que ele tinha a contar. Sempre que eu ia com uma ideia, ele vinha com outra, e nos alimentávamos", relembra Rodrigo. "Ele entrou no jogo, ficou empolgado e criou um teatro em torno de si mesmo".
A máscara usada por Pedro em alguns momentos do filme surgiu quase ao acaso, a partir de ações dele próprio. "O ‘seu’ Pedro tinha preparado a brincadeira do bumba-meu-boi e, numa noite, colocou aquela máscara e entrou no que parecia um transe, encarnando outra pessoa que não era ele. Havia ali algo de ancestralidade africana, e eu não pude deixar isso de fora".
O projeto de “Terra Deu Terra Come” venceu um edital de financiamento do programa Petrobras Cultural na categoria de patrimônio imaterial. No decorrer do desenvolvimento do que se tornaria o filme, o diretor Rodrigo Siqueira sentiu a necessidade de ir além, até pelo caráter abstrato do que tinha se proposto fazer.
“Não tem como tratar desse patrimônio de maneira isolada, pois ele tem a ver com o lugar e com a geografia onde as pessoas vivem, tem relação com a África, com dialetos e heranças”, aponta Rodrigo. “Eu buscava chegar à memória do ‘seu’ Pedro de Alexina, através de suas histórias, seus familiares, o garimpo, os mortos. Era a única forma de atingir aquilo que eu buscava. E não tem coisa mais infilmável que a memória”.
Enterro
O eixo de “Terra Deu Terra Come” é a morte de João Batista, senhor de 120 anos e cujo velório, orientado por Pedro de Alexina, é acompanhado pela câmera e pela presença física de Rodrigo Siqueira. O realizador não apenas registra, mas interage com o entorno do que acontece na comunidade de Quartel do Indaiá a partir da presença de um corpo. “A proposta era criar certa narrativa que permitisse uma atmosfera predominante em todo o filme, através de sequências flutuando em torno dessa atmosfera e que a interpenetrasse e ecoasse para além do filme”.
No decorrer da produção, Rodrigo faz com que Pedro de Alexina relembre todo o procedimento de “embalar” os mortos no intuito de permitir-lhes uma passagem bem-sucedida para o “outro lado”. No processo, claro, depara-se com crenças envolvendo a existência (ou não) do diabo – “aquele outro”, “o sujo”, “o tal”, como é referenciado várias vezes nas falas dos moradores do ex-quilombo.
Quando, enfim, acontece a caminhada do enterro, Rodrigo conseguiu captar em imagens e sons vários vissungos cantados por “seu” Pedro. “É de chorar, né?”, emociona-se o cineasta, ao ser perguntado sobre a sensação de estar ao vivo testemunhando a manifestação da ancestralidade.
Rodrigo Siqueira teve de base dois trabalhos sobre vissungos. O escritor Aires da Mata Machado tinha contabilizado 67 cânticos no livro “O Negro e o Garimpo em Minas Gerais”, publicado em 1943. Em pesquisa acadêmica recente, Lúcia Nascimento levantou aproximadamente 12 – o que mostra a extinção de uma tradição.
Durante a filmagem do velório de João Batista, Rodrigo Siqueira diz ter conseguido identificar alguns vissungos que não estavam na pesquisa de Lúcia, justo num momento de troca de bateria da câmera. Ao pedir para “seu” Pedro repetir o cântico, o ex-garimpeiro disse que não conseguiria. Naquele momento, Rodrigo constatou de vez que o instinto da tradição superava a busca pela memória.
*Originalmente publicado em O TEMPO no dia 22.9.2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Fussball Karneval

por Ursula Rösele
Mainz, time alemão jogando pela Bundesliga atualmente. Após todos os jogos, os jogadores pegam uma pequena câmera digital e filmam. São considerados o “time-carnaval” da Alemanha, pois a cidade ostenta o melhor carnaval do país (sabe-se lá o quê eles estão chamando de carnaval, mas enfim) e os jogadores são de uma alegria ímpar.
Disseram que depois da Bundesliga irão fazer um filme com essas imagens. 99,7% de chances de ser uma porcaria, mas que para nós que gostamos de futebol sempre fica uma vontade de ver o resultado, ah isso fica.
domingo, 12 de setembro de 2010
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Site de volta
Caros leitores,
depois do susto, a bonança.
O servidor conseguiu o back up do Filmes Polvo, e o site está de volta ao ar. Esperamos não voltar a acontecer. Testem à vontade: www.filmespolvo.com.br
Atenciosamente,
Equipe Filmes Polvo
depois do susto, a bonança.
O servidor conseguiu o back up do Filmes Polvo, e o site está de volta ao ar. Esperamos não voltar a acontecer. Testem à vontade: www.filmespolvo.com.br
Atenciosamente,
Equipe Filmes Polvo
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Site Filmes Polvo
Caros leitores,
tivemos um problema grave com nosso host, o que acarretou em sérios problemas no armazenamento de nossos dados, portanto, ficaremos um período – que esperamos seja o mais breve possível – fora do ar somente com nosso blog ativo. Precisaremos mudar de host e averiguar como recuperar tudo que perdemos no site, pois, aliás, ainda não sabemos a dimensão desta perda.
Acabamos de ficar sabendo e pedimos desculpas pelo contratempo, que afetou a todos nós.
Abraços angustiados,
Equipe Filmes Polvo
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
50 anos de "Psicose"

por Marcelo Miranda
Quando "Psicose" foi lançado nos EUA, em 16 de junho de 1960, uma publicidade protagonizada pelo próprio diretor Alfred Hitchcock proibia qualquer espectador a entrar na sala de cinema depois que o filme tivesse começado. Reza a lenda, inclusive, que Hitchcock em pessoa circulava pelos lugares fiscalizando se sua ordem expressa era cumprida à risca. O motivo, o cineasta explicou em entrevista a François Truffaut: "Os retardatários ficariam esperando o momento de ver [a atriz] Janet Leigh [em cena], quando, na verdade, ela já teria deixado a tela e morrido!".
Hitchcock tinha plena noção de que matar a protagonista de seu filme aos 45 minutos de projeção era um ato não apenas ousado, mas absolutamente inesperado - mais ainda se a personagem em questão era interpretada por uma estrela reconhecida como Leigh.
No próximo dia 25, completam-se 50 anos da estreia de "Psicose" no Brasil. Foram menos de dois meses de espera em relação às primeiras exibições nos EUA, mas o suficiente - numa era anterior à circulação hiperveloz da informação, como hoje - para manter o mistério em torno tanto da morte de Marion Crane (Leigh), quanto do segredo de Norman Bates (Anthony Perkins), e quanto à identidade do assassino.
"O suspense é antes de tudo a dramatização do material narrativo de um filme ou ainda a apresentação mais intensa possível de situações dramáticas", descreveu o crítico e pesquisador Ismail Xavier no prefácio de "Hitchcock/Truffaut" (Cia das Letras, 1993-2004). As palavras sintetizam toda a obra do diretor inglês e, mais ainda, a essência de "Psicose".
Rodado em menos de três meses, em preto e branco, com técnicos de televisão, orçamento de apenas US$ 800 mil e sem qualquer esperança da produtora Universal de que fosse render algum centavo, o longa se tornou a maior bilheteria de toda a vasta carreira de Hitchcock, integrada por 53 filmes realizados entre 1922 e 1976. "Psicose" faturou, na época, US$ 15 milhões, valor astronômico em se tratando de um suspense barato, adaptado do obscuro romance escrito por Roberto Bloch.
A propósito do livro de Bloch, disse Hitchcock: "Acho que a única coisa que me agradou e me fez decidir fazer o filme foi o caráter repentino do assassinato no chuveiro". A cena mais famosa de "Psicose" era, no fundo, o atrativo do diretor. Hitchcock se notabilizou por uma forma peculiar de criação: ele fazia filmes a partir de uma única ideia, cena ou sequência que povoava sua mente, desenvolvendo todo um enredo para encaixar essa determinada obsessão.
Assim foi com o chuveiro no qual Janet Leigh se banha. A filmagem da morte da personagem durou sete dias e exigiu 77 posições de câmera, no intuito de capturar todo e qualquer ângulo. Foi na montagem que Hitchcock deu o ritmo eternizado por aqueles três minutos de cena e potencializado pelos estridentes violinos da composição musical de Bernard Herrmann.
O pavor causado por "Psicose" também se deve à encarnação de Anthony Perkins como o frágil Bates. Dono de um motel falido na beira da estrada, o misterioso rapaz vive solitário com a mãe doente e deseja Marion Crane desde o primeiro instante em que a vê. O espectador primeiro sente piedade, depois desconfiança, em seguida dúvida e, por fim, medo.
A fusão final, com o rosto de Norman sobreposto ao do cadáver da mãe e ao porta-malas do carro onde está depositado o corpo desnudo de Marion, reforça, em termos puramente cinematográficos, o caráter assombroso da criação de Hitchcock. Cinco décadas depois, "Psicose" ainda é capaz de provocar frisson em velhos e novos espectadores. E isso é para sempre.
Para relembrar
Não apenas um filme, “Psicose” se tornou verdadeiro ícone da cultura pop. Existe uma infinidade de livros, teses, documentários e referências que prestam tributo ao filme de Hitchcock. Até mesmo a cena do chuveiro ganhou, em 2010, um livro dedicado apenas a dissecá-la – “The Girl in Alfred Hitchcock’s Shower” (a garota no chuveiro de Alfred Hitchcock), de Robert Gray.
Em maio deste ano, a 63ª edição do Festival de Cannes, na França, fez a sua parte e exibiu uma versão restaurada do filme. “Psicose” passou por rigorosa recauchutagem, especialmente sonora, o que valorizou os acordes musicais de Bernard Herrmann e a utilização estética do som e ruídos de ambiente no desenvolvimento do suspense no filme. O mais interessante é que, na sessão de Cannes, aproximadamente dois terços do público presente à lotada sessão nunca tinha assistido ao longa, segundo enquete realizada ali, no calor da hora.
A melhor forma de relembrar “Psicose” em seu cinquentenário é rever o filme nas várias versões lançadas em DVD no Brasil (a diferença entre uma e outra está nos extras) ou na edição especial em Blu-ray, lançada justamente para celebrar o aniversário da produção.
Também ler o monumental “Hitchcock/Truffaut” se torna tarefa de primeira linha. O vasto livro em que o francês François Truffaut trava um longo diálogo com o cineasta inglês é referência sob qualquer aspecto relativo ao cinema. Só sobre “Psicose” são 19 páginas, incluindo fotos de bastidores e decupagem de cenas importantes.
*Originalmente publicado em O TEMPO no dia 20.8.2010
domingo, 15 de agosto de 2010
CURSO CINEMA MUNDIAL: UM OLHAR, ALGUMAS POSSIBILIDADES DE ANÁLISE
por Ursula Rösele
Caros,
gostaria de convidá-los para um curso que iniciará a partir de segunda-feira. O curso pode ser pago por todas as aulas ou para cada dupla, em que a primeira aula se consistirá de um panorama pelo tema e na segunda iremos assistir a um filme e discuti-lo depois.
Ursula Rösele (Crítica de Cinema pela Revista Eletrônica Filmes Polvo – www.filmespolvo.com.br /Mestranda em Cinema pela UFMG)
Início: 16/08/10 - Término: 08/09/10 - Horário: 19h às 22h (Segundas e Quartas)
Aulas 1 e 2 (16 e 18/08): Primeiro Cinema, do mudo ao falado, a cor, o cinema de gênero, os grandes diretores e movimentos ao redor do mundo.
Aulas 3 e 4 (23 e 25/08): Woody Allen: o amor e ódio que rodeiam seu cinema.
Aulas 5 e 6 (30 e 01/09): Cinema Documentário: de Flaherty a Vertov, do documentário clássico ao rompimento com as barreiras real e ficção.
Aulas 7 e 8 (6 e 08/09): Documentário brasileiro contemporâneo.
Local: Poterie Atelier – Rua Eurita, 62 Santa Tereza / Contato: 3282-8061 / 8425-2821
Caros,
gostaria de convidá-los para um curso que iniciará a partir de segunda-feira. O curso pode ser pago por todas as aulas ou para cada dupla, em que a primeira aula se consistirá de um panorama pelo tema e na segunda iremos assistir a um filme e discuti-lo depois.
Ursula Rösele (Crítica de Cinema pela Revista Eletrônica Filmes Polvo – www.filmespolvo.com.br /Mestranda em Cinema pela UFMG)
Início: 16/08/10 - Término: 08/09/10 - Horário: 19h às 22h (Segundas e Quartas)
Aulas 1 e 2 (16 e 18/08): Primeiro Cinema, do mudo ao falado, a cor, o cinema de gênero, os grandes diretores e movimentos ao redor do mundo.
Aulas 3 e 4 (23 e 25/08): Woody Allen: o amor e ódio que rodeiam seu cinema.
Aulas 5 e 6 (30 e 01/09): Cinema Documentário: de Flaherty a Vertov, do documentário clássico ao rompimento com as barreiras real e ficção.
Aulas 7 e 8 (6 e 08/09): Documentário brasileiro contemporâneo.
Local: Poterie Atelier – Rua Eurita, 62 Santa Tereza / Contato: 3282-8061 / 8425-2821
sábado, 7 de agosto de 2010
"A Origem", de Christopher Nolan
por Marcelo Miranda
De cara é bom esclarecer: “A Origem” não revoluciona, não inova, não é brilhante. O pesado marketing em torno do filme tenta vender a ideia de estarmos diante de uma nova forma de se olhar a ficção científica, de uma nova filosofia dos sonhos, de um novo conceito. Nada disso – nem muito menos é um trabalho “onírico”, como já se classificou (oníricos são filmes de David Lynch, Luis Buñuel ou Alejandro Jodorowski). O que “A Origem” tem de atraente me parece ser, de imediato, a forma bem executada como desenvolve seus próprios conceitos. Em suma: o filme interessa não pelo que supostamente oferece de “novo”, mas pelo que ele faz tão bem de “velho”.
Depois do sucesso arrebatador de “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, o diretor Christopher Nolan ganhou carta branca da Warner para fazer o que bem quisesse. E fez esse projeto, que acalentava há uma década. Há, de fato, um certo ar de brincadeira juvenil em “A Origem”, e curiosamente isso faz muito bem ao filme. Trata seus assuntos centrais – sonhos, amores perdidos, culpa – através do filtro de gêneros: estamos num longa de ficção/ação/aventura no qual existe uma missão central que precisa ser completada por um grupo de pessoas.
No entorno, Nolan vai lançando as demais questões e, a certa altura, o espectador é capaz de esquecer por que, afinal, aquele bando de gente – liderado por um Leonardo Di Caprio em chave semelhante à sua interpretação em “Ilha do Medo”, de Martin Scorsese – está invadindo sonhos alheios. Isso pouco importa. Muito mais interessante é curtir a viagem de Nolan e toda a molecagem camarada que ele vai lançando a cada sequência e a cada momento cartilha-explicativa.
“A Origem” se configura um filme mais relevante se pensado no contexto da obra do diretor. Soa exagero chamar Nolan de “autor”, como também se tem feito em alguns espaços. Ele possui características que o identificam, mas está longe de possuir uma identidade estética, um olhar específico sobre o mundo (e sobre o cinema), uma forma de encenar que o diferencie de congêneres. Nas categorias artísticas, ele estaria mais para um eficiente artesão.
No novo filme, Nolan problematiza a própria condição de criador. Ele já o tinha feito em “O Grande Truque” (2006), mas com “A Origem” a questão sobre os limites do cinema enquanto espaço onde há a eterna disputa real versus a ficção se torna o cerne do filme. Nolan embaralha conceitos e cria dilemas para seus personagens resolverem dentro de um jogo narrativo com várias possibilidades de saída. É como o labirinto que a personagem da atriz Ellen Page precisa criar: ela o desenha em dois minutos para que a pessoa saia dele em 60 segundos. Este é o desafio de Nolan desde a conceituação de “A Origem” – qual a melhor forma de olhar ao redor: pelo viés da fantasia ou da realidade? E o tempo está correndo.
A se pautar por trabalhos como os dois “Batman”, que tentam trazer para o universo realista uma criação essencialmente ficcional, Nolan tende a preferir deixar a imaginação de lado. Porém, considerando “A Origem”, percebe-se um questionamento muito mais intenso em torno do ofício de realizador; e a luta interna dentro da tela resvala na empolgação externa de quem se entrega a ela. Muito por conta disso, “A Origem” é uma experiência bastante agradável de acompanhar.
*Originalmente publicado em O TEMPO no dia 6.8.2010
De cara é bom esclarecer: “A Origem” não revoluciona, não inova, não é brilhante. O pesado marketing em torno do filme tenta vender a ideia de estarmos diante de uma nova forma de se olhar a ficção científica, de uma nova filosofia dos sonhos, de um novo conceito. Nada disso – nem muito menos é um trabalho “onírico”, como já se classificou (oníricos são filmes de David Lynch, Luis Buñuel ou Alejandro Jodorowski). O que “A Origem” tem de atraente me parece ser, de imediato, a forma bem executada como desenvolve seus próprios conceitos. Em suma: o filme interessa não pelo que supostamente oferece de “novo”, mas pelo que ele faz tão bem de “velho”.
Depois do sucesso arrebatador de “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, o diretor Christopher Nolan ganhou carta branca da Warner para fazer o que bem quisesse. E fez esse projeto, que acalentava há uma década. Há, de fato, um certo ar de brincadeira juvenil em “A Origem”, e curiosamente isso faz muito bem ao filme. Trata seus assuntos centrais – sonhos, amores perdidos, culpa – através do filtro de gêneros: estamos num longa de ficção/ação/aventura no qual existe uma missão central que precisa ser completada por um grupo de pessoas.
No entorno, Nolan vai lançando as demais questões e, a certa altura, o espectador é capaz de esquecer por que, afinal, aquele bando de gente – liderado por um Leonardo Di Caprio em chave semelhante à sua interpretação em “Ilha do Medo”, de Martin Scorsese – está invadindo sonhos alheios. Isso pouco importa. Muito mais interessante é curtir a viagem de Nolan e toda a molecagem camarada que ele vai lançando a cada sequência e a cada momento cartilha-explicativa.
“A Origem” se configura um filme mais relevante se pensado no contexto da obra do diretor. Soa exagero chamar Nolan de “autor”, como também se tem feito em alguns espaços. Ele possui características que o identificam, mas está longe de possuir uma identidade estética, um olhar específico sobre o mundo (e sobre o cinema), uma forma de encenar que o diferencie de congêneres. Nas categorias artísticas, ele estaria mais para um eficiente artesão.
No novo filme, Nolan problematiza a própria condição de criador. Ele já o tinha feito em “O Grande Truque” (2006), mas com “A Origem” a questão sobre os limites do cinema enquanto espaço onde há a eterna disputa real versus a ficção se torna o cerne do filme. Nolan embaralha conceitos e cria dilemas para seus personagens resolverem dentro de um jogo narrativo com várias possibilidades de saída. É como o labirinto que a personagem da atriz Ellen Page precisa criar: ela o desenha em dois minutos para que a pessoa saia dele em 60 segundos. Este é o desafio de Nolan desde a conceituação de “A Origem” – qual a melhor forma de olhar ao redor: pelo viés da fantasia ou da realidade? E o tempo está correndo.
A se pautar por trabalhos como os dois “Batman”, que tentam trazer para o universo realista uma criação essencialmente ficcional, Nolan tende a preferir deixar a imaginação de lado. Porém, considerando “A Origem”, percebe-se um questionamento muito mais intenso em torno do ofício de realizador; e a luta interna dentro da tela resvala na empolgação externa de quem se entrega a ela. Muito por conta disso, “A Origem” é uma experiência bastante agradável de acompanhar.
*Originalmente publicado em O TEMPO no dia 6.8.2010
domingo, 1 de agosto de 2010
Seis graus de separação cinematográficos para Kevin Bacon

por Nísio Teixeira
Inspirados, talvez, nessa história de seis graus de separação, uns caras fizeram um site curioso, desafiando o cinéfilo a conseguir sequer atingir esses seis graus, cinematograficamente. O site é o "Oráculo de Bacon", que lança mão do banco de dados do IMDB. Tentei vários nomes, alguns mais antigos, de outros países, e mal conseguia passar dos três graus. Alguns, aliás, com diferentes links de possibilidade de conexão cinematográfica. Foi digitando errado o nome da atriz Lilian Gish, que consegui atingir meu recorde: quatro graus de separação entre Lilian Lish, obscura atriz grega de um filme só da década de 1950, e o nosso footwinner Kevin Bacon. Mas, por que o Bacon? Vai entender o mundo...
http://oracleofbacon.org/index.php
Lilian Lish
was in
Ekeines pou den prepei n' agapoun (1951)
with
Koulis Stoligas
was in
O ippolytos kai to violi tou (1963)
with
Andreas Katsulas
was in
Executive Decision (1996)
with
Oliver Platt
was in
Loverboy (2005)
with
Kevin Bacon
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Grande, esplêndido...
Por Leo Cunha

Foi com um misto de tristeza e alívio que eu visitei a livraria "El Ateneo", na avenida Santa Fé, bairro da Recoleta, em Buenos Aires. Tristeza porque o maravilhoso prédio era antigamente um cinema, o "Grand Splendid". Alívio porque, ao contrário do que costuma acontecer por aqui, pelo menos este cinema não virou igreja evangélica, banco, loja de secos e molhados. Manteve-se a vocação cultural do prédio, pelo menos.

Curiosamente, a seção de cinema da "El Ateneo" não é grandes coisas. Procurei no centro da cidade uma famosa livraria especializada em livros de cinema, a "Entelequia", mas ela fechou há pouco. Acabei encontrando alguns livros bem interessantes na "Libros del Pasaje", no bairro de Palermo Viejo.
Foi com um misto de tristeza e alívio que eu visitei a livraria "El Ateneo", na avenida Santa Fé, bairro da Recoleta, em Buenos Aires. Tristeza porque o maravilhoso prédio era antigamente um cinema, o "Grand Splendid". Alívio porque, ao contrário do que costuma acontecer por aqui, pelo menos este cinema não virou igreja evangélica, banco, loja de secos e molhados. Manteve-se a vocação cultural do prédio, pelo menos.

Curiosamente, a seção de cinema da "El Ateneo" não é grandes coisas. Procurei no centro da cidade uma famosa livraria especializada em livros de cinema, a "Entelequia", mas ela fechou há pouco. Acabei encontrando alguns livros bem interessantes na "Libros del Pasaje", no bairro de Palermo Viejo.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
As polegadas de Crawford, Bennet, Garbo e outras

Por Nísio Teixeira
No clima ainda anos 1930, mais uma delícia da revista Carioca (9 out 1937), com uma matéria de Peregrino Júnior sobre o "padrão cinematographico de belleza feminina". Curiosamente, a referência é a estátua da Vênus de Milo... Fiz a conversão aproximada em metros e quilos ao lado do dado em polegadas e libras. Claro, mantive o padrão de escrita de então.
__
“Num inquérito antropométrico ainda há pouco realisado em Hollywood os technicos americanos chegaram a uma conclusão interessantíssima: as mulheres mais bonitas do cinema yankee têm, com pequenas diferenças individuaes, as seguintes medidas:
Altura = 5 pés e 4 pollegadas = aprox. 1,60m
Peso = 115 libras = aprox. 52 quilos
Busto = 33 ¾ pollegadas = aprox. 85 cm
Quadris = 35 ½ pollegadas = aprox. 90 cm
Tornozelos = 7 ½ pollegadas = aprox. 19 cm
Essas dimensões foram encontradas, exactas, em 36 estrelas de Hollywood. E isso, em última análise, quer dizer que a beleza feminina de Hollywood está perfeitamente “standardizada”.
Dentre os nomes estão Joan Crawford, Lila Lee, Lena Lane, Bebé Daniels, Dorothy Mackaill, Marillyn Miller, Sharon Lynn, Dixie Lee, Marion Davies e Carole Lombard. Como comparação, o texto ainda utiliza as medidas da Vênus de Milo, tida como ideal de beleza e diz que “as diferenças são insignificantes”
Altura = 5 pés e 4 pollegadas = aprox. 1,60 metros
Peso = 135 libras = aprox. 61 quilos
Busto = 34 ¾ pollegadas = aprox. 88 cm
Quadris = 37 ½ pollegadas = aprox. 95, 25 cm
Pernas = 13 ½ pollegadas = aprox. 34, 3 cm
Constance Bennet (foto) é que mais se aproxima dessas medidas. Já Greta Garbo e Marlene Dietrich mostram-se “altas e gordas” diante do padrão hollywoodiano. Janet Gaynor e Dorothy Lee mostram-se mais “baixas e finas”.
__
Assim escreveu a Carioca...
sábado, 19 de junho de 2010
Ouro Preto e a Cinédia

por Marcelo Miranda
Antes da Vera Cruz e da Atlântida, houve a Cinédia. O primeiro estúdio de cinema do Brasil foi fundado em março de 1930, no Rio de Janeiro, pelo então crítico Adhemar Gonzaga. Oito décadas depois, a quinta edição da CineOP - Mostra de Cinema de Ouro Preto resgata não apenas a história da ascensão e queda da Cinédia, como principalmente alguns de seus filmes mais emblemáticos. Numa oportunidade de ouro, cinco longas-metragens produzidos pelo estúdio carioca serão exibidos em cópias restauradas - um avanço indescritível em relação às versões de VHS ou de televisão que os cinéfilos vêm tomando contato nos últimos anos. A quem nunca viu esses filmes, melhor ainda.
A proposta, segundo Raquel Hallak, coordenadora geral da CineOP, é "entender o contexto social, político e cultural do surgimento da Cinédia a partir de um olhar contemporâneo". "Eram tempos de Humberto Mauro indo filmar no Rio, Adhemar Gonzaga fundando o estúdio e Getúlio Vargas subindo ao poder no Brasil", relembra Raquel.
Para o crítico e pesquisador Cléber Eduardo, colaborador da temática histórica da mostra, resgatar a Cinédia em pleno século 21 permite enxergar a própria trajetória das tentativas do cinema brasileiro em se tornar indústria. "É uma perspectiva histórica de contextualizar o que significava isso em 1930 em paralelo com a chegada de Vargas à Presidência, com seu discurso e projeto de industrializar o país, e como isso há 80 anos é uma questão ainda de futuro, não de passado", acredita Cléber. "A Cinédia nos lembra do futuro que nunca chegou de fato, de um sertão que não virou mar", completa, usando de referência o verso de Glauber Rocha para "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1963) no intuito de falar sobre a eterna luta nacional por posições pessoais diante de imposições coletivas.
Glauber, aliás, é lembrança oportuna em se tratando da Cinédia. Para o diretor baiano falecido em 1981, "Ganga Bruta", do mineiro Humberto Mauro, seria o primeiro grande clássico da produção brasileira - ainda que, quando lançado em 1933, o filme tenha sido um fracasso de público. "Ganga Bruta" é um dos títulos programados para o CineOP e ganha apresentação no Cine Vila Rica na próxima segunda-feira.
Outros são "Alô Alô Carnaval" (1936), que marca o início da caminhada bem-sucedida de Carmem Miranda; "Bonequinha de Seda" (1936), cujo ritmo foi moldado pelas comédias de Hollywood do período; e "Lábios sem Beijos" (1930), outro de Mauro, a ser exibido com uma orquestra ao vivo tocando trilha sonora inédita e original, composta especialmente para a mostra em Ouro Preto. Uma verdadeira viagem ao cinema primordial.
Estúdio era caminho natural
"Em meados dos anos 1920, em São Paulo, o próspero industrial Adalberto Almada Fagundes, proprietário de uma fábrica de louças, tentou ampliar seu ramo de atuação patrocinando a construção de estúdios e fundando a Visual Filmes. No entanto (...), identificou as dificuldades de produzir cinema no país e preferiu continuar num ramo mais seguro para investimentos - (...) fabricar louças".
O trecho é de "Cinema Brasileiro - Das Origens à Retomada" (2005, Ed. Fundação Perseu Abramo, 160 págs.), no qual o historiador Sidney Ferreira Leite radiografa os descaminhos da produção nacional desde o começo do século 20. E o trecho reflete bem a dificuldade de se criar a tão falada indústria de produção audiovisual.
A Cinédia surgiu nesse bojo, quando os filmes nacionais ganhavam importância (e eram valorizados pelo próprio governo, que criou leis para protegê-lo) e um grupo de realizadores pensava em tirar os filmes do aspecto primário como eram feitos e modernizar o seu processo de "fabricação". A fundação de um estúdio - com material e equipamento de ponta, muitos vindo de fora do Brasil - era caminho natural. "Foi o primeiro empreendimento de um sonho de industrialização que, historicamente, continua a ser um ideal cuja prática continua artesanal", diz Cléber Eduardo.
Alice, a herdeira
Era 1935. Cinco anos depois da Cinédia ser fundada, Alice Gonzaga nasceu. Filha do crítico de cinema e produtor Adhemar Gonzaga e da atriz Didi Viana, Alice cresceu junto com o estúdio fundado pelo pai. Herdeira de todo o acervo de filmes e documentos, ela será a pessoa a representar a Cinédia na CineOP, que começa hoje em Ouro Preto e segue até terça-feira.
Alice não é só a herdeira. É mantenedora, difusora e restauradora de tudo relativo ao estúdio nos últimos 35 anos. “Entrei, gostei e nunca parei”, resume ela, em conversa por telefone. Graças a Alice, filmes da Cinédia foram restaurados e ganharão lançamentos especiais nos próximos meses, incluindo uma mostra no Rio de Janeiro e a própria apresentação de cinco títulos na programação da CineOP.
As memórias de Alice Gonzaga em relação ao estúdio – reunidas no livro “50 Anos de Cinédia” – remontam aos primórdios. “Lembro de, bem criancinha, adorar ir até a Cinédia, porque lá tinha um jardim”, relembra ela. “Tinha umas estátuas de anões de um lado e peixinhos nadando nesse lago, então queria sempre ir”.
A produtora circulou entre grandes estrelas da época, como Gilda de Abreu e Carmem Miranda, e acompanhava o pai onde pudesse – e também onde ele não estivesse: a pequena Alice costumava circular pelas instalações da Cinédia mexericando nos trabalhos dos funcionários. “O pessoal tinha que engolir em seco, porque eu era chatinha, mas era filha do diretor”, conta ela, aos risos.
E Alice também foi “útil” à Cinédia. Quer dizer: uma utilidade oportuna. Como sempre zanzava pelo lugar, era ela a escolhida para testar novos equipamentos. “Se chegava uma câmera ou um refletor, precisavam de alguém para ver se estava funcionando, e eles me chamavam. Eu era a rainha dos testes e a cobaia dos novos equipamentos”.
Já adolescente, Alice foi estudar num colégio interno no Rio de Janeiro. Às quintas-feiras, tinha consultas no dentista. Aproveitava a saída, claro, para ir até a Cinédia. “Almoçava no estúdio e passava a tarde inteira lá. Vi muitas filmagens nessa época e lembro bastante, porque estava grandinha”. Certo dia, em meados dos anos 1970, Adhemar Gonzaga foi diagnosticado como vítima de dois infartos e com um “coração cansado”.
Ao sair do hospital acompanhando o pai, Alice se deu conta: o que seria da Cinédia se Adhemar morresse? “Eu não fazia ideia, nunca tinha pensado nisso, ainda que ajudasse meu pai a organizar livros e papéis”. Felizmente, Alice teve habilidade e talento para eternizar o que a Cinédia havia criado ao longo dos anos.
Adhemar Gonzaga, fundador da Cinédia e pai de Alice, morreu em 1978. Desde então, ela toca os trabalhos do estúdio, que parou de produzir para se dedicar a cuidar de seu próprio acervo. Apesar de vinculado aos anos 30, o estúdio da Cinédia produziu filmes até o final dos anos 40, quando a Atlântida, fundada em 1941, já atuava realizando as populares chanchadas e filmes musicais
*Originalmente publicado em O TEMPO no dia 17.6.2010
*Acompanhe a cobertura da CineOP no Filmes Polvo
sábado, 12 de junho de 2010
Rogério Sganzerla
por Marcelo Miranda
Na preparação do livro "Por um Cinema sem Limite", que Rogério Sganzerla publicou em 2001 pela editora Azougue, sua filha caçula, Djin, teve participação fundamental. "Tive uma função de secretária, revisando e formatando os textos dele", relembra a atriz, aos risos.
Essa mistura de âmbito pessoal com produção artística e intelectual é o mote central da "Ocupação Rogério Sganzerla", exposição em cartaz gratuitamente no Instituto Itaú Cultural, em São Paulo, até o dia 18 de julho - e na qual a reportagem esteve na última quarta-feira. Trata-se da primeira reunião pública de parte do vasto acervo que o catarinense Sganzerla - morto em 2004, aos 57 anos - deixou guardado em dois armários. São anotações, fotografias, objetos, roteiros, cartas, textos críticos, que perpassam não apenas a carreira, mas a vida inteira de um criador genial, responsável por "O Bandido da Luz Vermelha" (1968) e "A Mulher de Todos" (1969), entre tantos mais.
"Um espaço dedicado às artes contemporâneas é ideal para reverberar a poética do Rogério através de seu caráter fragmentário", define o cineasta Joel Pizzini, curador da exposição.
Ao longo dos últimos 12 meses, Pizzini e equipe se dedicaram a vasculhar o material deixado por Sganzerla e guardado por sua esposa por 37 anos, a mítica atriz Helena Ignez, e por suas filhas, Djin e Sinai. O que foi selecionado para o Itaú Cultural transmite a noção "polifônica do multiartista", segundo Pizzini, através de três eixos relacionados à obra do diretor: luz, abismo e caos.
A exposição consiste numa mistura interativa de imagens, músicas e letras. Inclui roteiros de Sganzerla ("uma grande descoberta, que pouca gente conhecia", diz o curador), trechos de filmes inacabados ou perdidos (como "Carnaval na Lama", o qual ninguém sabe onde está) e um segmento dedicado ao cinéfilo e pai Sganzerla, com credenciais de jornalista, máquina de escrever, câmeras e dois escritos incríveis - um cartão-postal para o "incorrigível Julio Bressane" e para a "Helena linda", enviado na época em que Bressane e Ignez eram namorados, e uma carta à filha Sinai, então com 9 anos, na qual ele se mostra um pai afetuoso e, nas entrelinhas, celebra a presença de Orson Welles - seu maior ídolo - num determinado festival de cinema.
Seis anos depois da morte de Rogério Sganzerla, 2010 parece ser especial à sua memória. Ainda que o diretor nunca tenha saído da reflexão sobre os caminhos do cinema brasileiros – não apenas pelos seus vários longas e curtas desde 1967, mas também pelo trabalho final da carreira, o impressionante “O Signo do Caos” (2003) –, a exposição no Itaú Cultural se soma a uma série de ações que vão garantir presença contínua de Sganzerla na mídia cultural.
Em julho, dois livros reunirão os textos críticos escritos por Sganzerla em duas fases: a primeira, quando, antes dos 20 anos de idade, ele se tornou colunista do jornal “O Estado de S. Paulo”; a outra, já nos anos 80, do alto de uma experiência precoce reforçada pela produção continuada de filmes provocativos e ousados.
No final do ano, chegará aos cinemas “Luz nas Trevas – A Volta de Luz Vermelha”, filme dirigido por Helena Ignez e Ícaro Martins a partir de roteiro deixado pelo próprio Sganzerla. No elenco, o cantor Ney Matogrosso encarna o personagem vivido intensamente por Paulo Vilaça em 1968. “Luz nas Trevas” era um dos projetos mais sonhados por Sganzerla: uma continuação de “O Bandido da Luz Vermelha” de teor “menos intelectualizado, mais pop, mais gibi”, como disse em 1998.
Fora isso, há dois longas de Sganzerla disponíveis em DVD (“O Bandido da Luz Vermelha” e “Sem Essa, Aranha”) e outros devem surgir em breve. “Os filmes ainda soam como um escândalo, com toda aquela inteligência e humor. Ao mesmo tempo, é tudo absolutamente pessoal”, exalta a filha, a atriz Djin Sganzerla. “Queremos restaurar essa obra e trazê-la ao público como foi feita: em sua máxima potência e visceralidade”.
Para o carioca Julio Bressane, ex-sócio da produtora Belair com Sganzerla e Helena Ignez em meados dos anos 60 (juntos, fizeram seis longas-metragens em dois meses), ter o acervo pessoal do diretor colocado diante do público é “um tipo de milagre”. “É uma obra que serve como instrumento de autotransformação. Não pedem explicação, e nem são feitas a isso, como todo tipo de imagem moderna. Eles pedem e exigem uma interpretação. Isso não se concilia com a tirania do aspecto comercial que está aí hoje, nessa política genocida que se pratica no atual cenário do cinema brasileiro”, dispara Bressane.
O gerente do núcleo de audiovisual do Itaú Cultural, Roberto Cruz, conta que a escolha de Rogério Sganzerla para o projeto Ocupação foi coerente aos artistas anteriormente definidos – dentre eles, o dramaturgo Zé Celso Martinez Corrêa e o poeta Paulo Leminski. “São todos iconoclastas”, resume Cruz. “A grande originalidade da atual exposição foi não trabalharmos especificamente com os filmes de Sganzerla, mas com o processo de sua criação e pensamento”.
*Originalmente publicado em O TEMPO no dia 12.6.2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Mostra sobre o cinema do Quebec em SP
por Nísio Teixeira
Entre 24 de junho a 04 de julho do corrente acontece uma mostra que reúne produções do cinema quebequense sobretudo dos anos 2000. Mas há filmes também dos anos 1970 e 1960, como Bûcherons de la Manouane (foto), já comentado aqui no dossiê Quebec da Filmes Polvo. A mostra acontece na Cinemateca Brasileira e o CINUSP “Paulo Emílio” e tem curadoria de João Cláudio de Sena e Paula Morgado. Debates com alguns dos cineastas canadenses que participam da mostra acontecem nos dois locais e também na Academia Internacional de Cinema e no LISA – Laboratório de Imagem e Som em Antropologia da USP. O evento conta com o apoio do Consulado-Geral do Canadá e do Escritório de Québec de São Paulo, da Embaixada do Canadá no Brasil, da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão e do Laboratório de Imagem e Som em Antropologia da Universidade de São Paulo, e da empresa Rio Tinto Alcan. Mais informações no site http://www.cinequebec.blogspot.com/
CINEMATECA BRASILEIRA
24 de junho a 4 de julho (mostra de filmes e debate)
Largo Senador Raul Cardoso, 207
próximo ao Metrô Vila Mariana
CINEMATECA BRASILEIRA
24 de junho a 4 de julho (mostra de filmes e debate)
Largo Senador Raul Cardoso, 207
próximo ao Metrô Vila Mariana
Terça a sexta: 19 e 21 horas
sábados e domingos: 17, 19 e 21 horas
Outras informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)
http://www.cinemateca.gov.br/ (de onde foi retirado parte do texto acima e informações)
Ingressos: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada)
Atenção: estudantes do Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas têm direito à entrada gratuita mediante a apresentação da carteirinha.
CINUSP “PAULO EMÍLIO”
29 de junho a 2 de julho (mostra de filmes)
Rua do Anfiteatro, 181 – Colméia, Favo 04
Cidade Universitária
Outras informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)
http://www.cinemateca.gov.br/ (de onde foi retirado parte do texto acima e informações)
Ingressos: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada)
Atenção: estudantes do Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas têm direito à entrada gratuita mediante a apresentação da carteirinha.
CINUSP “PAULO EMÍLIO”
29 de junho a 2 de julho (mostra de filmes)
Rua do Anfiteatro, 181 – Colméia, Favo 04
Cidade Universitária
Segunda a sexta, 16 e 19 horas.
Outras informações: (11) 3091-3540
www.usp.br/cinusp
ENTRADA FRANCA
LABORATÓRIO DE IMAGEM E SOM EM ANTROPOLOGIA DA USP
29 de junho (palestra)
Rua do Anfiteatro, 181 – Colméia, Favo 10
Cidade Universitária
Outras informações: (11) 3091-3045
http://www.lisa.usp.br/
Outras informações: (11) 3091-3540
www.usp.br/cinusp
ENTRADA FRANCA
LABORATÓRIO DE IMAGEM E SOM EM ANTROPOLOGIA DA USP
29 de junho (palestra)
Rua do Anfiteatro, 181 – Colméia, Favo 10
Cidade Universitária
Outras informações: (11) 3091-3045
http://www.lisa.usp.br/
Assinar:
Postagens (Atom)


