sábado, 21 de novembro de 2009

42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro - atualizações

Novos textos de nossa cobertura do Festival de Brasília no ar: ”Filhos de João – Admirável Mundo Novo Baiano”, “Perdão, Mister Fiel”+ Curtas.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Dos dias 17 a 24 de Novembro o polvo Marcelo Miranda fará a cobertura do 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Acompanhem os textos aqui. Já no ar, “Lula, o Filho do Brasil’, de Fábio Barreto.

domingo, 15 de novembro de 2009

Joan Baez

por Marcelo Miranda

Em 1971, Ennio Morricone compôs uma música para a trilha sonora do drama Sacco & Vanzetti, história real de dois trabalhadores italianos anarquistas, presos injustamente nos anos 20, nos EUA, acusados de assassinato. Quem entoou a letra da música (que reproduz trechos de cartas escritas pelos acusados de dentro da prisão) foi Joan Baez, com toda a sua potência, melancolia e delicadeza.

Abaixo, um trecho de algum show de Joan no qual ela canta um pequeno pedaço da música (que, originalmente, tem mais de dez minutos, salvo engano).

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Em defesa do festival de curtas

por Marcelo Miranda

A classe audiovisual mineira está elaborando uma carta aberta, a ser encaminhada à imprensa e à Secretaria de Estado da Cultura, reivindicando várias medidas a favor da permanência do Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte.

O evento, cuja 11ª edição segue até amanhã, no Cine Humberto Mauro, sofre um impasse desde meados deste ano, quando correu risco de não ser realizado, por desentendimentos internos e dificuldades de captação de recursos. Numa reunião realizada na tarde da última terça-feira, um grupo de cineastas, produtores e representantes de entidades trocaram ideias (e várias farpas) a respeito da forma como a política audiovisual vem sendo desenvolvida em Minas Gerais.

Especificamente sobre o Festival de Curtas, a proposta é quase unânime: a Secretaria de Cultura, através da Fundação Clóvis Salgado (órgão estadual “dono” do festival), deve garantir financeiramente sua continuidade anual.

Para tanto, será proposta à Secretaria uma série de ações, entre elas a criação de um conselho consultivo para pensar o evento e a nomeação de um coordenador que assuma o festival e outras atividades ligadas a ele (como a itinerância dos filmes exibidos pelo interior do Estado).

Aguarde novidades aqui no blog. Enquanto isso, acompanhe nossa cobertura diária da 11ª edição do festival, bastando clicar aqui.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Brasil e Itália, por Pier Paolo Pasolini

Por Nísio Teixeira


O site do Instituto Moreira Salles divulga, na íntegra, texto de Pier Paolo Pasolini comentando a final da Copa do Mundo de 1970 entre Brasil e Itália. Para o cineasta italiano, o futebol de poesia brasileiro superou a prosa estetizante italiana. Leia mais no link abaixo:
http://ims.uol.com.br/Futebol_de_prosa_e_futebol_de_poesia_–_Pier_Paolo_Pasolini/D242

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

11º Festival Internacional de Curtas de BH - Atualizações

No ar em nossa cobertura do 11º Festival Internacional de Curtas de BH: Mostra Campo imperfeito – 1 e 3, Mostra Curtas Brasil 2008 – 1, Mostra Curtas Vila do Conde – 1, Mostra Festival Internacional de Cinema de Locarno – 1, Mostra Vanguardas e Neovanguardas – 1, O Vampiro da Cinemateca e Todos Mienten. Confiram!

O Caso dos Irmãos Naves



por Marcelo Miranda

Por pura coincidência, hoje tem sessão especial em Belo Horizonte de O Caso dos Irmãos Naves, filme de 1967 dirigido por Luís Sérgio Person e com Anselmo Duarte num dos papéis principais. Coincidência porque Anselmo morreu no último sábado, aos 89 anos. Neste trabalho de Person, ele tem o maior papel de sua carreira, como o truculento delegado militar responsável pela tragédia real da família Naves, no interior de Minas Gerais.

O filme é impressionante, e quem já o assistiu pode reforçar o coro. Tem elementos que dialogam fortemente com outras produções da mesma época, de pegada semelhante e também inspiradas em casos reais, especialmente A Sangue Frio, de Richard Brooks e lançado exatamente no mesmo ano do filme de Person, e Sacco & Vanzetti (1971), trabalho hoje pouco comentado, mas ainda muito expressivo, dirigido por Giuliano Montaldo.

Fiz uma pequena matéria sobre a exibição do filme, que pode ser lida aqui. Mas muito mais interessante é o comentário que o Carlão Reichenbach me enviou, atendendo a um pedido meu de um depoimento para a tal matéria. Vale reproduzir na íntegra, como forma de reforçar a importância do filme de Person.

por Carlos Reichenbach
O Caso dos Irmãos Naves talvez seja um dos filmes mais políticos já realizados no país. Uma obra na linha visionária do comunismo Peninsular de Palmiro Togliatti e Antônio Gramsci. Um erro jurídico histórico do passado, do periodo da ditadura Vargas, caía como uma luva para falar da repressão e da truculência militar no final dos anos 60. Sei que Person era fã assumido do cinema de Francesco Rossi, Damiano Damiani e Elio Petri. Os Naves tem muito do cinema italiano da época. A colaboração de Jean-Claude Bernardet no roteiro foi essencial para acrescentar uma certa dose de distanciamento crítico ao filme

Parece que o filme teve alguns problemas com a censura, agravados pelo fato de ter sido o representante do Brasil no Festival de Moscou.

Estilisticamente o filme se diferencia bastante da linguagem moderna e fragmentada de São Paulo S/A; mas Person buscava isso obstinadamente, fazer sempre um filme formalmente diferente do anterior.

A referência maior de Os Naves é O Bandido Giuliano, de Francesco Rossi, que Person achava um dos maiores filmes da história. O curioso é que, numa revisão recente, Giuliano me apareceu muito envelhecido, datado; Os Naves, não. Deu para perceber uma certa ironia no estilo buscado por Person com influências sutis de outros filmes brasileiros, sobretudo alguns da Vera Cruz (não foi à toa que Person convidou Anselmo Duarte para atuar - histriônica e genialmente, diga-se de passagem) e sobretudo, do TBC de São Paulo (perceba a carga teatral do elenco inteiro) no filme.

Embora o filme tenha atuações notáveis de Juca de Oliveira e Raul Cortez, Person tinha o maior carinho pelo desempenho de John Herbert (que está sublime mesmo e é o menos teatral do elenco).

Em Os Naves, a atmosfera aparentemente extemporânea (quase arcaica) contribui muito para o nosso distanciamento. Para isso foi essencial a contribuição de Oswaldo de Oliveira na fotografia, que não usou nenhum dos efeitos fáceis de envelhecimento da época (e que torna alguns filmes italianos do período insuportáveis de serem assistidos hoje - como alguns de Mauro Bolognini, por exemplo). Oswaldo aboliu todos os filtros soift ou fog e usou basicamente a luz "dura" dos refletores antigos.

Confira o blog do Carlão.

sábado, 7 de novembro de 2009

Anselmo Duarte (1920-2009)







segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Michael Jackson - This is It

por Ursula Rösele

This is It, o filme com – a princípio – passagem relâmpago pelos cinemas (dizem que de duas semanas, agora ficará até o dia 29/11) já rendeu 101 milhões de dólares em 5 dias. O que não é de se espantar, claro. Assisti ao filme ontem e a vantagem foi ter ido ao cinema sem a mínima expectativa em termos de “cinema”. O filme é o que se propõe e feliz ao não se apoiar em sensacionalismos fáceis como poderia se esperar. Não há lágrimas, lamentos, depoimentos pós-mortem. É o que seria do show e pronto. Sincero, feito pelo diretor da turnê, com imagens dos ensaios e uma impressionante participação de Jackson em todos os momentos: das melodias aos arranjos, passos de dança, cenário, escolha dos dançarinos, etc, etc, etc. O cantor aparece bem menos afetado que eu imaginava, obviamente cercado de atenções e cuidados, preocupações constantes em gastar a voz ou cair de uma grua à qual ele passearia por cima dos fãs no show. Que, por sinal, seria certamente o maior show pop de todos os tempos, sem sombra de dúvida. Sincero, o filme abre com a frase “para os fãs”. Não é muito mais que isso, mas é um bom arquivo do que viria a ser esta última passagem do “Rei do Pop” pelos palcos. Uma pena não ter se efetuado.



quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Canadá e Brasil assinam novo acordo audiovisual



Brasil e Canadá formalizaram novo acordo de cooperação audiovisual. Na foto (divulgação) Tom Perlmutter (NFB/ONF), Silvio Da-Rin (SAv/MinC) e o embaixador Paulo Cordeiro de Andrade Pinto assinam os termos do protocolo, que prevê parcerias na criação de documentários e animações (binômio forte e histórico da instituição canadense), especialmente a partir da tecnologia digital. Intercâmbio de tecnologias e criação entre os dois estão previstos, bem como a realização de uma cúpula Brasil-Canadá no ano que vem. Para mais informações e leitura do protocolo, leia aqui.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Andrea Ormond



por Marcelo Miranda

Aproveitando que ela deixou um comentário no post abaixo, reproduzo a seguir a entrevista que fiz com a pesquisadora Andrea Ormond. Ela mantém desde 2005 o blog Estranho Encontro, acesso obrigatório a quem deseja conhecer mais a fundo o cinema brasileiro nas suas mais variadas (e, muitas vezes, pouco reconhecidas) vertentes.

Como e em que circunstâncias nasceu o blog Estranho Encontro?
Quando paro para pensar, vejo que o Estranho Encontro nasceu lá pelo início dos anos 90. Nessa época, era praticamente impossível ter contato com o chamado cinema brasileiro não oficial. Não havia Canal Brasil, YouTube, redes P2P [de compartilhamento]. Era claustrofóbico. Na minha geração, muita coisa não foi questionada, até porque era impossível ter acesso às inúmeras vertentes da Boca do Lixo, por exemplo. Aí, quem se interessava por filmes brasileiros virava uma espécie de marginal, catando fita velha em locadora. Eu alugava os filmes e fazia fichinhas com comentários. O blog propriamente dito nasceu em 2005. Baseada em anos de pesquisa, havia escrito alguns pontos de vista críticos e resolvi disponibilizá-los. Fiz uma pequena divulgação e o número de visitas começou a crescer. Foi tomando uma proporção cada vez maior, pelo interesse, respeito e carinho dos leitores.

Antes de escrever no blog, você sentia falta de um pensamento crítico sobre o cinema brasileiro na Internet?
Como falei antes, era realmente claustrofóbico. E não se engane: ainda é. Não só na Internet, mas em quase tudo que é dito sobre a filmografia brasileira na imprensa. Evidente que nomes de um passado distante, como Rubem Biáfora e Salvyano Cavalcanti de Paiva, sabiam separar o joio do trigo e não apelavam para o óbvio, para os clichês. Mas, ainda assim, o fato é que, no mais das vezes, a crítica sempre tratou o cinema nacional como algo "exótico", exterior a ela. É quase esquizofrênico. Dessa forma, ficou muito fácil catalogar tudo sob a chancela do sexo, naquele velho discurso generalizante e ignorante. O erotismo comercial não foi o todo, mas uma vertente utilizada para conquistar público. E mesmo o sexo às vezes foi usado de maneira sublime, vide o Walter Hugo Khouri e alguns filmes do Carlos Reichenbach, ou mesmo do Jean Garrett. Para existir pensamento crítico, é preciso um horizonte mais amplo, entender o cinema nacional como uma coleção de momentos, de nomes, de possibilidades.

O que mais diferencia o Estranho Encontro é a atenção a filmes que tradicionalmente são deixados de lado no cinema brasileiro do passado, como pornochanchadas e fitas de gênero (policial, terror, aventura, comédia). A que se deve esse interesse pelo "extracampo" do nosso cinema?
Sempre me incomodou profundamente ver que apenas o cinemão oficial é tido por "pesquisável". O que não é cânone vira ridículo. Ora, impossível esquecer (para quem viu, pois muitos não veem e pensam que não existe) um filme como Ódio, dirigido pelo Carlo Mossy, um galã bobinho, que cometeu comédias esteticamente inferiores. Não se pode passar um rolo compressor sobre as trajetórias de tudo e de todos sem entender que existem idiossincrasias, momentos e detalhes em filmes que são incríveis. Outro exemplo é o da Marlene, a eterna rival da Emilinha Borba. Em 1982, ela protagoniza uma cena lésbica interessantíssima no Profissão Mulher, roteiro da escritora Márcia Denser. Como isso pode não ser pesquisado na memória antropológica brasileira?

O seu diretor predileto é Walter Hugo Khouri, que é pouco estudado na nossa cinematografia. O que lhe causa admiração no cinema dele?
A admiração pelo trabalho do Khouri se dá sob dois ângulos. Por um lado, o domínio da técnica, que não se resumiu à direção, mas se estendeu também ao roteiro, ao olhar da câmera, à erudição humanista. A maioria desses pseudo-intelectuais, cineastas ou não, que já criticaram iconoclasticamente o cinema do Khouri, o faz simplesmente por não entender o que existe ali por trás. Sim, estou chamando parte da crítica brasileira de burra. Burra e provinciana, porque acha que filme brasileiro tem que ter cangaceiro e saci-pererê. Sempre foi assim. Por outro lado, também me chama atenção, no Khouri, a constância ao longo de mais de 40 anos, filmando, apesar de todo o tipo de dificuldades impostas pela "intelligentsia". Analisando a firmeza de propósitos, o sentido de sua obra, chega a ser fácil entender que tenha concretizado tantos filmes em um ambiente totalmente adverso. Khouri tinha o que dizer, coisa rara.

E quais seus filmes preferidos dele?
Sem ordem de preferência, O Anjo da Noite, As Deusas, As Filhas do Fogo, Corpo Ardente, Noite Vazia e Palácio dos Anjos.

Certa vez você escreveu que o cinema paulista, principalmente os filmes feitos na Boca do Lixo, conta uma história do cinema bem diferente da que conhecemos no país. Que história seria essa?
O melhor momento da história do cinema brasileiro foi na Boca. É preciso avisar isso para a intelectualidade carioca, que nunca enxergou São Paulo como centro do cinema no Brasil. Lá tivemos a história de um cinema autossustentável, prolífico, uma indústria que apareceu onde ninguém esperava que surgisse algo de bom. Foi da Boca, por exemplo, que saiu a nossa Palma de Ouro em Cannes, O Pagador de Promessas, do Anselmo Duarte. Quer algo mais higienizado do que uma Palma de Ouro? Houve pornografia, sim, na Boca. Nos anos 80, ela foi levada ao extremo e destruiu a indústria que ali existia. Mas não houve apenas isso. Compreender a grandeza, diversidade e qualidade do cinema paulista é a chave que nos tira de um pensamento vitimizante e atrasado.

O cinema brasileiro pós-Retomada vive correndo atrás de público, enquanto, até os anos 80, era o público que vivia atrás do cinema brasileiro. O que mudou entre uma época e outra?
Fatores extra-cinematográficos têm pesado bastante. Há tempos atrás cunhei no blog a expressão "sociochanchada", que engloba, a meu ver, um espectro amplo de filmes. É a tal "mensagem social", leviana (porque força a barra de maneira tosca) e previsível (o roteiro obedece a um sentido ideológico politicamente correto, nunca artístico e criativo). Para piorar, não há risco para os produtores da forma que havia, digamos, nos anos 70. Eles não arcam dos próprios bolsos com o fracasso ou sucesso. Ganha-se muito dinheiro público, grande parte das vezes sem a transparência necessária na demonstração dos resultados. Isso, aliás, é tema para o Judiciário resolver.

O preço do ingresso pesa?
Persiste o fator econômico-financeiro, que está nos preços elevadíssimos das sessões de cinema. O assunto não deve ser esquecido, pois, se o filme fosse ruim, mas barato de ver, garanto que haveria margem maior para o acesso ao cinema. Fenômenos esporádicos como o Cidade de Deus ou Tropa de Elite não conseguem estabilizar a oferta e a demanda, nem manter um mercado sólido, por conta dessas variáveis todas. É necessária uma volta ao cinema popular brasileiro.

Como você caracteriza o cinema brasileiro de hoje?
Sobrevive de fenômenos esporádicos e incerteza de público. Os estúdios estrangeiros engoliram várias fatias do mercado interno, até porque matou-se um mecanismo de produção interessantíssimo como o da Boca. Enquanto for extraordinário fazer cinema, enquanto for rocambolesco, isso se perpetuará.

O cinema brasileiro de hoje te interessa? Se sim, o que, dentro dele?
Me interessa, sem dúvidas. O fato de eu remexer o passado tem um sentido, pragmaticamente falando: não existe presente, nem futuro, sem um passado. Existe um edifício muito maior, muito mais sólido, que diz a que veio o cinema brasileiro. Vibro com o Cheiro do Ralo, os filmes do Beto Brant, do Cláudio Assis, vejo-os como uma ventania de vida. Ainda me intriga, por outro lado, perceber que algumas coisas interessantes, como séries dirigidas por cineastas, fiquem restritas à TV a cabo. Aquelas séries da HBO são um exemplo disso. Por acreditar que a produção audiovisual brasileira sempre vale a pena é que eu escrevo.

* Entrevista originalmente publicada no jornal O Tempo, em 31.5.2009

** Foto: Maíra Coelho/JB

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Walter Hugo Khouri, 80


O cineasta brasileiro Walter Hugo Khouri faria hoje 80 anos de idade, caso não tivesse morrido em 27 de junho de 2003. A convite do Blog do Polvo, o pesquisador Adilson Marcelino, profundo admirador e conhecedor da obra de Khouri, escreveu o texto abaixo.

(Na foto acima, Khouri, à esquerda, dirige Ben Gazzara e Eva Grimaldi em Forever, filme de 1991)

A culpa é do Khouri
(por Adilson Marcelino)

Minha paixão pelo cinema brasileiro é tão absoluta que quase que abandonei o cinema estrangeiro por completo. Persigo uma meta quase insana, que é ver, e, muitas vezes rever, o maior número possível de filmes brasileiros em longa-metragem. E a culpa disso tudo é de um senhor que estaria completando 80 anos no dia 21 de outubro se vivo estivesse.

Estou falando de Walter Hugo Khouri, esse gênio do cinema nacional e dono de uma trajetória completamente singular na história do nosso cinema.

Muita gente gosta de dizer que Walter Hugo Khouri é o nosso Bergman ou o nosso Antonioni. Afora as genialidades dos cineastas sueco e italiano, sempre fico um pouco de bronca com esse tipo de comparação. Por que então não dizer que Bergman é o Khouri da Suécia e Antonioni o Khouri da Itália? Porque eles começaram antes? Porque eles são gênios do cinema mundial? Porque Khouri sempre deixou claras a admiração e a influência dos dois cineastas? Acho que é mais que isso, é um pouco a nossa eterna subordinação, como quando dizem que Paulo Autran é o nosso Lawrence Olivier, Joana Fomm é a nossa Bette Davis ou Roberto Carlos é o nosso Julio Iglesias.

Meu primeiro contato com o cinema de Khouri foi a partir de um trailler. Sim, um fragmento de “Eros, o Deus do Amor”, obra-prima do cineasta lançada em 1981. Tinha 17 anos e vi no antigo Cine Palladium, cinema de rua-mor de Belo Horizonte, o trailer de “Eros”. Fiquei estupefato. O trailer era um desfile de mulheres absolutamente maravilhosas circundadas por uma atmosfera sedutora, enigmática e de alta combustão.

Na época, nem sabia direito o que era cinema brasileiro, mas a partir desse trailer, e depois do filme assistido, nunca mais larguei o pé da nossa cinematografia. E, claro, vi quase todos os filmes de Khouri – menos “O Gigante de Pedra”, “Fronteiras do Inferno”, “Na Garganta do Diabo”, “A Ilha”, “O Anjo da Noite”, “O Desejo” e “Mônica e a Sereia do Rio”, de Maurício de Sousa, no qual Khouri fez as cenas ao vivo.

Meu primeiro trabalho como jornalista foi em 1991, em um jornal extinto de Contagem chamado Folha Popular. Eu tinha uma coluna de cinema, que durou até o final da publicação em 1993. Já no segundo número do jornal, criei uma seção de homenagem às atrizes do cinema brasileiro. E quem estava lá inaugurando as homenagens? Odete Lara, com direito à citação de seu trabalho em “Noite Vazia”.

Não preciso dizer também que foi esse impacto com “Eros” – e hoje compreendo isso mais claramente - que, além da coluna, inspirou-me a criar um fotolog e depois o meu site Mulheres do Cinema Brasileiro.

Aliás, quando criei uma sala no site para que homens do nosso cinema homenageassem as mulheres, queria dar o nome de Sala Walter Hugo Khouri. Mas aí o cineasta Carlos Reichenbach, eterno padrinho do site, aconselhou-me a dar o nome de Sala Lilíam Lemmertz, musa maior do cineasta, para que não ficasse estranho, já que todas as salas tinham nomes de mulheres. Carlão, inclusive, inaugurou a sala homenageando a atriz.

(Neste ano, o site fez cinco anos, e eu queria inaugurar novo design, mas ainda não consegui. Mas adianto que a sala será rebatizada de Sala Walter Hugo Khouri, e Lady Lemmertz, claro, batizará outra.)

Walter Hugo Khouri morreu no dia 27 de junho de 2003. Até hoje acho que o Brasil ainda não deu o devido valor e reconhecimento para seu maior cineasta, para mim, e com certeza um dos maiores para muita gente. Com sua morte, fiquei órfão de um cinema de alta estirpe e com infinitos signos ainda por serem decifrados. Ficaram órfãs também deusas absolutas como Monique Lafond, Selma Egrei, Nicole Puzzi, Patrícia Scalvi, Vera Fischer, Kate Hansen, Kate Lyra e etc etc etc.

25 anos sem Truffaut


François Truffaut
* 6 de fevereiro de 1932
+ 21 de outubro de 1984

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Polvo no CineBH

Pessoas,

convidamos a todos para a sessão de curtas HOJE às 18h30 na Mostra CineBH, Praça Santa Tereza. Haverá, dentre outros curtas muito bacanas, filme do polvo Leonardo Amaral.

Apareçam!

Equipe Filmes Polvo

Rosanna Schiaffino (1940-2009)

sábado, 17 de outubro de 2009

CineBH 2009 e polvos na Mostra!

A 3a Mostra CineBH começou na noite de 15 de Outubro e a Filmes Polvo esteve por lá. Hoje vocês poderão acompanhar nossa cobertura, já com os textos: Curtas Série 1 (Medo do Escuro, O Vampiro do Meio Dia, O Elétrico Jardim da Escuridão, Duas Fitas e Não me Deixe em Casa), Dia dos Pais e Os Famosos e os Duendes da Morte.

Gostaríamos de convidá-los para a sessão de Curtas Série 2 de hoje (18h30) no Cine-Tenda, pois teremos o prazer de prestigiar o polvo Gabriel Martins exibindo seu curta Filme de Sábado.

Abraços a todos,

Equipe Filmes Polvo

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Carta aberta aos responsáveis pela projeção digital no Brasil

O Fórum da Crítica, entidade virtual que reúne dezenas de profissionais da reflexão cinematográfica de todo o Brasil (e na qual diversos polvos estão incluídos), divulgou uma carta aberta em protesto à péssima qualidade das recentes projeções digitais no circuito de cinema brasileiro. Abaixo, segue reprodução integral do texto e, logo adiante, um link para quem quiser contribuir com o abaixo-assinado virtual, a ser encaminhado aos responsáveis.

CARTA ABERTA AOS RESPONSÁVEIS PELA
PROJEÇÃO DIGITAL NO BRASIL
A projeção digital chegou ao Brasil com a missão de democratizar o acesso aos filmes e libertar os distribuidores da dependência de cópias em 35 milímetros, cuja confecção e transporte são notoriamente caros. A instalação de projetores digitais permitiria ao público assistir a títulos que dificilmente seriam lançados nas condições tradicionais e ainda ofereceria condições para que espectadores situados longe do eixo Rio-São Paulo (onde se concentram quase 50% das salas de cinema do país) tivessem acesso aos mesmos títulos simultaneamente.

O que estamos vendo, no entanto, é uma total falta de respeito ao espectador no que se refere à exibição do filme propriamente dita. As razões são basicamente duas: projeções incapazes de reproduzir fielmente os padrões de cor e textura da obra e/ou projeções incapazes de exibir os filmes no formato em que foram originalmente concebidos. Sem falar no som, que muitas vezes ganha uma reprodução abafada, limitada ao canal central, muito diferente de seu desenho original.

A adoção da projeção digital pelos dois maiores festivais internacionais do Brasil (o Festival do Rio e a Mostra de São Paulo) e por outros festivais do país, infelizmente, não respeitou o que seriam critérios mínimos de qualidade de projeção de filmes em cinema – algo que é observado com atenção em qualquer festival internacional que se preze. Trata-se de uma situação particularmente alarmante tendo em vista o papel de formadores de plateia que esses eventos desempenham.

Sucessivamente, temos visto um autêntico massacre ao trabalho de cineastas, fotógrafos, diretores de arte, figurinistas, técnicos de som e até mesmo de atores. Apenas para citar um exemplo: Les herbes folles, o novo filme de Alain Resnais, originalmente concebido no formato 2:35:1, foi exibido no Festival do Rio, com projeção digital, no formato 1:78. Isso representou o corte da imagem em suas extremidades, resultando em enquadramentos arruinados, movimentos de câmera deformados e rostos dos atores cortados. Um pouco como se A santa ceia, de Leonardo Da Vinci, tivesse suas pontas decepadas, deixando alguns discípulos de Jesus fora de campo – e da história [compare abaixo]. Para completar o desrespeito, não há qualquer aviso em relação às condições de exibição, e o preço cobrado pelo ingresso não sofre qualquer alteração.

Santa Ceia como foi concebida (2:35:1)


Santa Ceia "reformatada" (1:78)

Não nos cabe, aqui, pregar a “volta ao 35mm” nem defender determinada resolução mínima para a projeção digital. Sabemos que, se respeitados determinados critérios técnicos – ou seja, se a empresa responsável pela projeção digital receber do distribuidor o master no formato adequado, se o processo de encodamento for feito corretamente e se os ajustes necessários para a exibição de cada filme forem realizados cuidadosamente –, a projeção digital pode ser uma experiência perfeitamente satisfatória para o espectador.

Não é isso, porém, que tem ocorrido. Exibidores, distribuidores e os fornecedores do serviço da projeção digital são responsáveis pela má qualidade da projeção e coniventes com esse lamentável descaso geral, que tem deixado críticos e amantes de cinema indignados. É um desrespeito ao cinema e aos seus criadores, mas, sobretudo, ao espectador e consumidor final, que saiu de casa e pagou ingresso para ver um filme.

A situação chegou a um ponto intolerável. Pedimos a todos os profissionais envolvidos com a projeção digital que tomem providências para que tais deformações não se repitam.

Quem quiser participar do abaixo-assinado por melhores condições da exibição digital, basta clicar aqui para participar da petição on line.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Cinearte e A Scena Muda totalmente digitalizadas

por Nísio Teixeira

Nunca é demais recordar...


As versões digitalizadas das revistas Cinearte e A Scena Muda, de crucial importância para a história do cinema e também do rádio brasileiros, podem ser folheadas graças a uma iniciativa da biblioteca Jenny Klabin Segall.

http://www.bjksdigital.museusegall.org.br/index.htm

Boa viagem!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Um rosto e um corpo: Leonor Silveira








por Marcelo Miranda

Um rosto e um corpo emolduram o cinema de Manoel de Oliveira. Numa visão mais conjunta de seus filmes, como tem sido possível na mostra em Belo Horizonte, é perceptível o quanto da força no cinema deste português genial se deve à presença de Leonor Silveira.

Nascida no Porto há 39 anos, a atriz tem a vida misturada à carreira com Manoel: sua estreia no cinema se dá em 1986, em Os Canibais. O trabalho mais recente é Singularidades de uma Rapariga Loura, do mesmo diretor e lançado este ano. No meio, aproximadamente outros 15 filmes com Manoel, num período de 23 anos.

Em todos, por menor que seja, a presença de Leonor é radiante. Não apenas pela expressividade do rosto e dos gestos, mas pela força e sedução dos movimentos do corpo. Manoel poucas vezes a filmou sem roupas (se não me engano, apenas em A Divida Comédia), o que em nada diminui a sensualidade da atriz e o impacto que ela exerce ao surgir na tela. Cada gestual, olhar, virada de cabeça, um mínimo arfar, tudo passível de provocar uma hecatombe dentro e fora da tela.

Manoel deve pensar o mesmo. Ele sabe utilizar o talento de Leonor a favor do filme e dela própria. Atriz de recursos discretos, raramente aparece "superatuando". A voz branda, o sorriso raro, os olhos claros que parecem guardar o sentido do mundo, dão-lhe uma vida distinta a cada novo papel.

Vale Abraão talvez seja a súmula de Leonor Silveira sob as lentes de Manoel de Oliveira. Um momento da narração em off que molda o filme, reproduzido abaixo, refere-se à personagem Ema. As palavras, porém, são facilmente transferíveis para a própria Leonor.

Ema significava a extremidade de qualquer coisa.
A sua beleza constituía uma exuberância e, como tal, um perigo.



domingo, 4 de outubro de 2009

Mais Festival do Rio

O polvo João Toledo segue no Festival do Rio e já mandou diversos novos textos:

Bad Lieutenant (Werner Herzog)

As Praias de Agnés (Agnés Varda)

Maradona (Emir Kusturica)

Distrito 9 (Neil Blomkamp)

O Segredo dos seus Olhos (Juan José Campanella)

O Pai dos meus Filhos (Mia Hansen-Love)

Insolação (Daniela Thomas e Felipe Hirsch)

Leia estes e vários outros aqui.