
por Marcelo Miranda
Russel Crowe entra na sala de conferência do Palácio dos Festivais e se senta. Uma horda de fotógrafos o aguarda diante da mesa e logo pede que ele se levante. Crowe fica de pé, faz pose, careta e, por fim, sorri, meio constrangido. Os cliques se multiplicam, os flashes esbranquiçam mais e mais o rosto do ator. Pode não parecer, mas este é o início da 63ª edição do Festival de Cannes, o mais importante e autoral do cinema mundial. Crowe veio à Riviera Francesa divulgar "Robin Hood", superprodução dirigida por Ridley Scott, que abriu ontem o evento.
Um filme grande (nem sempre um grande filme) tem sido a tônica do primeiro dia de Cannes já faz uns bons anos. A escolha de "Robin Hood", para além de toda a pompa, tem a ver com uma certa falta de títulos de peso midiático prontos em tempo suficiente para carregar este ano tropas de jornalistas ao festival - são aproximadamente 4.000 credenciados.
O que importa, afinal, é "Robin Hood" - cuja estreia no Brasil já será amanhã - abrindo o evento fora de competição.
O que importa, afinal, é "Robin Hood" - cuja estreia no Brasil já será amanhã - abrindo o evento fora de competição.
O antigo personagem de matinês marcou presença nas telas francesas, mas não seu diretor. O inglês Ridley Scott precisou cancelar a vinda a Cannes, por recomendação médica (ele fez uma cirurgia no joelho). Scott, que exibiu no festival seu filme de estreia, "Os Duelistas", em 1977, enviou mensagem frisando a vontade frustrada de estar aqui.
Coube ao australiano Russel Crowe - sorridentemente ajudado pela conterrânea e colega de elenco Cate Blanchett - conduzir a entrevista. Bem-humorado, Crowe não aparentava a figura rabugenta cuja persona ele próprio não se cansa de alimentar: disparou piadas a cada nova resposta, assumiu a paixão pelo futebol, ironizou os próprios jornalistas. E, claro, falou de Robin Hood e do imaginário em torno do personagem.
"Não nos lembrávamos de um filme no qual Robin era mostrado como um indivíduo e nem com suas reais motivações", disse o astro, também produtor executivo do longa. "Me pergunto se ele tem ambições políticas, econômicas, se ele quer ir a Wall Street, ou se ele é simplesmente um cara tentando ajudar as pessoas a viver. Acredito que, se existisse hoje em dia, Robin Hood certamente não ia correr para estourar na mídia".
"Não nos lembrávamos de um filme no qual Robin era mostrado como um indivíduo e nem com suas reais motivações", disse o astro, também produtor executivo do longa. "Me pergunto se ele tem ambições políticas, econômicas, se ele quer ir a Wall Street, ou se ele é simplesmente um cara tentando ajudar as pessoas a viver. Acredito que, se existisse hoje em dia, Robin Hood certamente não ia correr para estourar na mídia".
Blanchett, igualmente à vontade, diz não ter se inspirado em nenhuma outra encarnação anterior de Marian (uma das mais famosas é a de Audrey Hepburn em "Robin e Marian", de 1976, com Sean Connery). "Foi até bom, pois criei uma figura própria". Ao contrário dela, Crowe chegou ao set embebido numa maratona de filmes e séries protagonizados pelo serelepe ladrão da floresta de Sherwood. "Vi de tudo, das encarnações do Douglas Fairbanks e Errol Flynn a um programa de humor feito pelo Mel Brooks".
Diferente das tradicionais versões do herói que rouba dos ricos para dar aos pobres, o filme de Scott mergulha numa faceta pouco conhecida: a de Robin como um guerreiro a serviço da Inglaterra contra o exército francês e o processo até ele se tornar a figura tão marcadamente reconhecida de salvador dos injustiçados. "Inserir elementos históricos gera curiosidade no público, e é isso que um filme como esse precisa ter", definiu Crowe. "As pessoas querem saber sobre como uma figura egoísta provoca uma revolução".
Por diversas vezes, Crowe se desviava do filme e falava de futebol. Ao responder à pergunta de uma jornalista da África do Sul, o ator brincou "Tem muitos países que podem ganhar a Copa, mas a Austrália é que vai dominar o futebol mundial", apostou.
*Originalmente publicado em O TEMPO no dia 13.5.2010
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