terça-feira, 14 de julho de 2009

Paulínia III - Dias melhores vieram

por Marcelo Miranda, de Paulínia (SP)

Depois da catástrofe que foi a exibição de Destino, de Moacyr Góes (veja post abaixo) e de filmes de escolhas formais bem questionáveis (À Deriva, Caro Francis), o Festival de Paulínia deu uma "acalmada" nos últimos dois dias. Pelo corre-corre de outros afazeres, não vou poder, agora, escrever detalhadamente de cada filme visto ontem e hoje. Por enquanto, recomendo a leitura dos colegas Francis Vogner e Cesar Zamberlan, sem dúvida alguma as melhores e mais isentas e críticas coberturas do evento este ano.

Só adianto que Quanto Dura o Amor?, segundo longa de Roberto Moreira (fez antes Contra Todos), tem estética e temática muito distantes da estreia do diretor. Saem o ambiente apodrecido, os personagens amorais e a câmera tremulante, entram a urbanidade efervescente de São Paulo, pessoas típicas do cotidiano de uma grande cidade e uma câmera quieta, quase serena, mais preocupada em acompanhar os corpos do que em empurrá-los rumo a um poço sem fundo (como era em Contra Todos). Ainda que frágil (a impressão é de que o filme pode se despedaçar num mínimo sopro de um olhar mais rigoroso), é trabalho a se atentar, especialmente pelo entrecho protagonizado por uma advogada que começa a namorar um colega de trabalho. Dali vem a melhor cena do filme e uma das construções de personagem e situação mais delicada dos últimos meses no cinema brasileiro.

Visto também Moscou, de Eduardo Coutinho. Esse merece muito mais que um post corrido de blog. É filme que bate pesado, que carece de profunda reflexão. Quem esperar algo na linha dos trabalhos anteriores de Coutinho, já pode se desarmar. Sem sair do seu universo e da sua forma de narrar e documentar, mas ao mesmo tempo virando tudo de cabeça pra baixo, o cineasta dá uma guinada meio assombrosa. Carece de decantação, então voltemos a ele posteriormente.

Tenho texto pronto de À Deriva, do Heitor Dhalia, feito ainda no primeiro dia. Daqui a pouco posto aqui.

3 comentários:

Carlinda Hellen disse...

Estou gostando muito de acompanhar o II Festival de Paulínia aqui no blog. Está muito bom.

Saudades da sua aula Marcelo, saudades de vc tb,ficar sem sua aula no sábado vai ser ruim! Vou protestar isso...rsrsr

:)

Abraços!!!

Maria Clara disse...

:)

sensibilidade é sempre muito bem vinda...

beijinho

Marcelo Miranda disse...

Carlina e Maria Clara,
muito obrigado pelos comentários! Voltem sempre.